Dentro do meu processo coexistem duas forças: o impulso lúdico de explorar, experimentar e brincar, e um interesse profundo pelos materiais e pela forma como eles se transformam. Trabalho com a cerâmica como quem observa um organismo vivo — atento às reações da argila, dos esmaltes e do fogo, e às possibilidades que surgem desse encontro.

Sou Ariel Rangel, artista ceramista nascida e criada no Rio de Janeiro. A cerâmica sempre fez parte da minha vida: minha mãe também é ceramista, e crescer entre ateliês, barro e fornos moldou desde cedo minha relação com a matéria. Iniciei meu caminho explorando diferentes técnicas, aprofundando minha prática no torno e na modelagem manual, e desenvolvendo um vocabulário próprio entre o funcional e o escultórico.

Meu trabalho habita o espaço entre o bruto e o refinado. Crio vasos e esculturas que convidam ao toque e à contemplação, inspirados pela natureza ao meu redor — o oceano, as montanhas, as criaturas da terra e os materiais disponíveis localmente. As formas clássicas das cerâmicas antigas dialogam com uma abordagem contemporânea de superfície, textura e esmaltação.

Há também um interesse constante pelo aspecto experimental e quase científico do processo: testar esmaltes, observar reações químicas, aceitar o acaso como parte essencial da criação. Cada peça carrega as marcas do tempo, do fogo e do gesto, revelando um processo lento, atento e profundamente conectado à matéria.

 

Após me formar, escolhi viver no interior, nas montanhas do Brasil, em busca de um ritmo mais saudável e de uma relação mais direta com o fazer. É nesse ambiente que meu trabalho se desenvolve hoje — como uma prática contínua de escuta, presença e transformação, onde cada objeto se torna um pequeno território entre arte, uso e local.